quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Citação de Quarta #1

       "...então, sempre tinham muitas teorias, sempre teorias, como é típico dos jovens. Para explicar o sentimento de insatisfação que os acometia; por não conhecerem gente; por não serem conhecidos. Pois como era possível conhecer um ao outro? A gente se vê todo dia; depois passa seis meses, ou anos, sem se encontrar. Era insatisfatório, concordaram, o quão pouco a gente conhece as pessoas. No entanto, disse, sentada no ônibus que seguia por Shaftesbury Avenue, ela tinha a impressão de estar por toda parte; não "aqui, aqui, aqui"; e tamborilou no encosto do banco; mas por toda parte. Fez um aceno com a mão, enquanto subiam por Shaftesbury Avenue. Ela era tudo aquilo. E, portanto, para conhecê-la, ou qualquer outra pessoa, seria preciso ir atrás daqueles outros que a completavam; e até mesmo dos lugares. Ela sentia uma estranha afinidade com pessoas às quais jamais dirigira a palavra, uma mulher na rua, um sujeito atrás do balcão - e mesmo com árvores ou celeiros. Tudo aquilo desembocava em uma teoria transcendental que, dado o horror dela pela morte, permitia-lhe acreditar, ou afirmar que acreditava (a despeito de todo seu ceticismo), que, uma vez que nossas aparições, aquela parte de nós que se manifesta, são tão prontamente comparadas com outra parte nossa, com nossa parte invisível, que se estende de modo amplo, era bem possível que o invisível sobrevivesse, pudesse ser de algum modo recuperado no apego por essa ou aquela pessoa, ou mesmo assombrando certo lugares, após a morte. Talvez, talvez."

Mrs. Dalloway, Virginia Woolf, pg. 155.


2 comentários:

  1. Amei a citação e espero ver mais por aqui :D
    Beijo

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    Respostas
    1. Que bom que gostou! Vou tentar postar uma citação bem legal toda quarta-feira, nova tag!

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