segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Erros Passageiros

               Apaixonou-se, deixou os amigos de lado, esqueceu a família, mudou de cidade, abandonou os sonhos pelos quais vivia. Por um tempo, viveu uma ilusão, a alegria, o amor tudo o que sentia, foi ao espaço quando ele a abandonou. “Não consigo mais viver aqui”, disse, “você me sufoca, não me deixa viver”. “Mas larguei minha vida pra viver a tua!”, ela gritou enquanto ele saia pela porta. E lá ela ficou. Enquanto ele saia com sua mochila nas costas pra viver sozinho as aventuras que planejaram juntos, no calor dos lençóis, entre sorrisos e carinhos, palavras bonitas, agora vazias.
             Vagando entre estantes de livrarias, sentindo o cheiro de mofo das bibliotecas, vendo casais abraçados enquanto assistia um romance, sozinha no cinema, “pra quê fui assistir um romance?”. Quis ligar pra sua mãe, mas não podia. “Imagine, o que ela diria?”.
               À noite, naquela cama vazia, sentia o gosto salgado das lágrimas caírem, quando era noite de lua cheia, lembrava-se daquelas promessas vazias. “Quando a gente se casar, vamos viajar pra algum lugar, botar a mochila nas costas, e conhecer a vida lá fora” ele dizia. “Vamos ter nosso cantinho, em algum lugar na Toscana, Santorini ou Paris, quem sabe até em Tóquio a gente pode se arranjar”, “mas eu não sei falar nem inglês”, “a gente se arranja meu amor, não falamos com a voz, mas com o coração”. E ela acreditava.
           Mas ela deveria saber, alguém tão sonhador não se prende a ninguém. Mas ela também sonhara um dia, antes de tudo acontecer, ela queria aprender a falar inglês, italiano, francês, espanhol, e até mandarim, quis conhecer o mundo pra quem sabe conhecer alguém, só que esse alguém apareceu cedo demais.
            Agora ela pensa, ela se arrepende, mas de que adianta se arrepender? Foi feito, agora o que resta é sofrer. Mas pra que sofrer, se o mal já passou? “Vou voltar pra casa, minha mãe vai me entender”.

Luana Kraemer

Um comentário:

  1. Já te disse o que eu achei, mas vou repetir aqui também. Muito bom esse texto, meio conto meio poema em prosa. Você foi bem espontânea e conseguiu criar um ritmo interessante, além do conteúdo ser bem verdadeiro e realmente parecer ter vindo de dentro de você. Meus parabéns de novo.

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