sábado, 28 de setembro de 2013

Filosofando: Escuridão, Luz, Escuridão

  
Assista ao vídeo e depois leia o texto, se não quiser ficar perdido!

Tive uma conversa com meu amigo Raphael, do blog Delirium Scribens (vulgo Delirando e Escrevendo, em latim porque é mais intelectual) sobre um vídeo que ele assistiu, do Jan Svankmajer, lançado em 1989, e a nossa discussão me fez filosofar tanto, que resolvi fazer um post. Infelizmente ele não quis postar a interpretação maravilhosa dele no blog, pois então, farei aqui. E ele que me desculpe, quem mandou não ser rápido?
Mas enfim, esta é a interpretação de acordo com ele: este curta reflete a experiência humana desde o nascimento, a percepção de si mesmo, a sexualidade arrasadora com a tentativa de entrada do falo, dominada pela água - a transição da adolescência pra vida adulta -, então o ser humano se vê preso no meio de todo o universo, que é gigante, mas, por causa do nosso conhecimento limitado, também é uma caixa estreita. Ficamos presos nela até que as luzes apagam e tudo acaba.”
Motivo pelo qual ele não postou: “Porque é pura pretensão. Talvez o diretor só quisesse mostrar que ele consegue filmar um corpo de argila moldando a si próprio.” Claro que eu não concordei com ele, não é pura pretensão, acredito que o diretor quis realmente mostrar esse sentido literário da vida, porém, creio que exista também um sentido um pouco mais filosófico por trás, acho que ele quis dizer que somos moldados a ficar dentro da "caixa", a nos contentarmos com o conhecimento limitado, afinal as portas para o conhecimento estão ali, destrancadas, porém, não saímos porque estamos acomodados ao conhecimento pronto, que nos é dado sem ao menos precisarmos "pensar por nós mesmo", ou também acostumados a ficarmos extasiados com medo de "conhecer o desconhecido".
Então, ele retruca: Ao mesmo tempo, adicionando a sua ideia, dá pra dizer que ele não sai porque as portas são muito pequenas e ele foi lançado ao confinamento sem saber.”
Pois lá vem a Luana discordando de novo. Para mim, o vídeo foi claro, ele pode se moldar, se adaptar, por isso a massa de modelar utilizada. Então, ele pode mudar sua forma para sair pela porta, e depois retornar ao seu tamanho original. É como diminuir seu conhecimento para excluir as inutilidades, as teorias prontas, para podermos pensar por nós mesmos.
Por fim, chegamos à conclusão de que vídeos assim, que nos fazem pensar é que são verdadeiras aulas de filosofias, afinal, normalmente nos dão as coisas prontas e não precisamos pensar sobre elas, acho que esse não é o propósito de filosofar. Acho que filosofar é criar suas próprias teorias, e esse vídeo faz com que possamos pensar sem nenhuma rede ou “caixa” apertando nosso conhecimento, o que o faz maior, mais amplo, com mais capacidade de alcançar o ilimitado.

2 comentários:

  1. Depois de tanto tempo, consegui pensar num argumento em minha defesa, embora ele seja mais político que filosófico. Fiz uma pesquisa e descobri que muito do trabalho do Svankmajer, e de vários outros artistas checos (Milan Kundera, Milos Forman etc.) foram motivados pela repressão (de novo a cena da água no pau) e censura do governo comunista autoritário. Sendo assim, a casa pode ser o governo, e a luz se apagando seja uma escolha motivada pelo medo. Talvez ele possa se modelar para sair do confinamento, mas será que o mundo de fora (controlado por um governo autoritário) vale a pena? O que você acha disso?

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    1. Acho perfeitamente plausível, porém, como você falou, um argumento político, pois o vídeo não vai remeter seus pensamentos ao regime autoritário no qual o autor estava, somente vai chegar a uma conclusão assim se pesquisar, como você fez, ou conhecer a história do artista. Acho que esse argumento leva um pouco mais a fundo o vídeo, enquanto nossas digressões tem um alcance filosófico um tanto quanto superficial, não acha? Mas as duas teorias encaixam-se no objetivo do vídeo, talvez com a mesma essência.

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