sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Resenha #18: Guia politicamente incorreto da filosofia.



"O problema com o politicamente correto é que ele 
acabou por criar uma agenda de mentira intelectuais 
(filosóficas, históricas, psicológicas, antropológicas etc.) a 
serviço do "bem", gerando censura e perseguições 
nas universidades e na mídia para aqueles que ousam 
pôr em dúvida suas mentiras "do bem". Grande parte 
do espírito que move este livro é criticar algumas 
dessas mentiras ou colocá-las sob o olhar da filosofia 
e de alguns filósofos." (pg.32)

     O Guia politicamente incorreto da filosofia - Ensaio de Ironia, do Luiz Felipe Pondé, faz parte da coleção Guia Politicamente Incorreto da editora LeYa, que reúne três autores para apontar as mazelas do Brasil, da América Latina, do Mundo, e neste que vos apresento, da Filosofia. 
    Pondé é um filósofo, escritor e ensaísta brasileiro, do Recife para o mundo. É doutor em Filosofia Moderno pela Universidade de Paris e pós-doutor pela Universidade Tel Aviv de Israel, apesar de ter cursado Medicina na Universidade Federal da Bahia. Hoje ele é professor de Ciências da Religião na PUC-SP e de Filosofia na FAAP. Colunista da Folha de S. Paulo e autor também dos livros Do Pensamento no Deserto, Conhecimento na Desgraça, O Homem Insuficiente, Crítica e Profecia e Contra um Mundo Melhor.


      O livro fala das atitudes das pessoas afligidas com a praga PC, ou seja, a praga do Politicamente Correto. Através de uma crítica ferrenha à praga PC, Pondé tenta analisar assuntos do cotidiano interligando à filósofos e pensadores e suas teorias, e como essa praga pode deixar a sociedade "burra". Vamos tentar explicar melhor. Pondé começa contando o caso que viu num filme, porém baseado em fatos reais, do general Patton, do exército americano, que foi um dos responsáveis pela derrota dos nazistas, quando ele, após uma dura batalha na Itália, visita a enfermaria onde soldados feridos estão internados. 

"Diante de um deles, muito mal, Patton se ajoelha e coloca uma medalha. 
Reza e depois diz algumas palavras ao seu ouvido, visivelmente emocionado. 
(...) Para ele, a enfermaria é um "lugar de honra". (...) Ao sair da enfermaria, 
Patton vê um soldado sentado sem nenhum ferimento aparente. 
Pergunta a ele o que se passou. O soltado, com a voz estremecida, 
responde que o problema eram "seus nervos". Patton fica e estarrecido. 
Grita com o soldado,  esbofeteia-o, ameaça puxar o revólver do gatilho 
e manda que o tirem dali porque ali "é um lugar de honra", e ele não queria ver 
seus homens corajosos feridos  maculados pela presença, 
ele usa esta expressão, "de covarde"." (pg. 25)

        Na sequência da cena, o filme narra a queda do general, e ali, diz Pondé, dá-se o nascimento do politicamente correto. 

"Patton foi politicamente incorreto ao chamar o soldado pelo "seu nome",
"covarde", porque o exército vê sua reação como "insensível" aos limites do
soldado em questão e ruim para a "boa" imagem da instituição. A praga PC
é uma mistura de covardia, informação falsa e preocupação com a imagem."
(pg. 27) 

         O livro aborda vários assuntos, em poucas páginas, o que acaba tornando-o um pouco superficial, sem se ater à um assunto por tempo suficiente para o leitor se fazer entender, portanto algumas coisas acabam ficando mal contadas, obscuras, fazendo o leitor interessado ir à procura no senhor Google. O que achei chato, afinal, estou lendo o livro para ter conhecimento, e no momento, ele me proporcionou só uma parte desse conhecimento que ele me prometeu. Por exemplo, ele poderia ter falado muito mais de religião, pois o politicamente correto se atém firmemente com embasamento na religião, no entanto ele dedicou um número de quatro páginas para falar de catolicismo, judaísmo e budismo, assuntos que seriam até bem resumidos em 20 páginas, era o mínimo que eu esperava. As míseras quatro páginas foram boas, até, afinal concordei com muita coisa do que ele disse, principalmente esta: o maior inimigo de Deus são seus crentes fervorosos. Sobre os ateus: até golfinhos conseguem ser ateus, porque o ateísmo é a visão de mundo mais fácil de ter: a vida é fruto do acaso e não tem sentido além dos pequenos sentidos que inventamos. Essa frase vou levar pra vida, é fácil dizer acreditar em nada. Quando ele fala do Islã diz que a maioria acha que os mulçumanos são "gente boa", acho que não é bem assim, a maioria sabe que eles não entendem as diferenças e para eles o mundo seria uma ditadura que segue o Corão, e a minoria acredita que o islamismo é paz e amor. 


          Enfim , Pondé aborda temas polêmicos, sempre com uma visão crítica e pessimista, desde democracia, religião até o otimismo, romantismo e sexualidade, além de vários outros assuntos pertinentes à atualidade, ou não. O livro é ótimo como iniciação para um debate, gostaria de expor melhor as coisas por aqui, mas por incrível que pareça, tenho um comentário a fazer para cada assunto, e isso não é pra agora, quem sabe algum outro dia eu me pegue escrevendo sobre a aristocracia e o fato de ser politicamente incorreto apoiá-la, ou a ditadura (e o fato de que quem luta contra ela, é para poder estar no poder dela no futuro), ou a questão do feminismo extremo (as mulheres tem o direito de viver em uma casa suja!), e principalmente, a questão da religião e uma coisa que não concordei com ele: o budismo é algo que vem de dentro, apesar de ter se tornado uma modinha, não é uma religião superficial, e sim profunda, e que precisa de anos e anos de prática para se tornar um budista. Mas principalmente, quero falar daquelas pessoas de opiniões banais com ares cultos. Aqueles seres irritantes que têm uma teoria hipócrita sobre tudo e julgam-se sociólogos e filósofos e tecem críticas sem sentido à sociedade com aquela cara de paisagem de quem sabe o que está falando. 


  • Livro: Guia Politicamente Incorreto da Filosofia - Ensaio de Ironia
  • Editora: LeYa
  • Autor: Luiz Felipe Pondé
  • Lançamento: 2012
  • Páginas: 232


6 comentários:

  1. Eu te falei que o Pondé era assim, né? Bem mais ou menos. Tem horas que ele acerta em cheio, outras parece querer provocar a qualquer custo, então fala qualquer merda. Superficial, como você falou. Não li esse, mas li "Contra Um Mundo Melhor". Minha conclusão foi que é bem melhor ler os autores que ele fala sobre (Nelson Rodrigues, Cioran, Albert Camus, Philip Roth, Edmund Wilson etc.) que ele.

    Concordo com você sobre o budismo. É superficial para quem não o entende. E, normalmente, quem diz entender muito de budismo, não entende nada. Os conceitos de transcendência, unidade universal, tudo isso é muito mais complexo que o zen, pense positivo e medite que a classe média alta gosta de por em pratica quando bate a vontade. Falando nisso, e seu post sobre o budismo?

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    1. Pois é exatamente isso. Quero muito ler A Revolta de Atlas de Ayn Rand que ele indicou. Pois então, ainda não foi planejado, quem sabe nessas férias ele sai.

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  2. Eu queria muito este livro para mim, mas só o que eu consegui foi o "Guia politicamente incorreto da história do Brasil", depois de um discurso do meu professor de história, desisti dos dois livros.

    http://www.minhassimpressoes.blogspot.com.br/

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    1. Sério Maria? O que ele falou sobre os livros?

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  3. Este livro é interessante, e bem coerente em nossos dias, no qual, um porção de gente se deslumbram com os ideais comunistas; a questão da "afrodescendência", entre outros, que de uma forma equivocada, não tolerantes, ferozmente, defendem,suas razões como sendo a única solução correta para humanidade o correto

    "O politicamente correto, assim , nesse momento, se caracterizará por ser um movimento que busca moldar comportamentos, hábitos, gestos e linguagem para gerar a inclusão social desses
    grupos e, por tabela, combater comportamentos, hábitos, gestos e linguagem que indiquem uma recusa dessa inclusão"(p.13).

    Voltamos aquela velha questão: "os que humilham agora, outrora foram humilhados"

    ...http://diempoetico.blogspot.com.br/

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    1. Sim! É bem nesses dias atuais que ele super se encaixa, e concordo com você sobre a questão dos que humilham agora, outrora foram humilhados. Faz todo sentido!

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