segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Resenha #23: A Hora da Estrela




"Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que me é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias. Mas preparado estou para sair discretamente pela saída da porta dos fundos. Experimentei quase tudo, inclusive a paixão e o seu desespero. E só quereria ter o que eu tivesse sido e não fui."

Primeiro livro que li da Clarice Lispector, e por enquanto único, A hora da estrela é tudo aquilo e mais um pouco. Sabe aquela escritora que te conquista? É ela. Sabe aquela que te faz pensar, refletir, suspirar? É ela. Sabe aquela que te faz sonhar em ser escritora? É ela.

OBS: Os links do blog estão falhando, mas se você atualizar a página (dando F5 ou apertando enter lá na barra de endereço), volta ao normal, e aí você pode comentar (eeee). Se alguém puder me ajudar nisso, ficaria muuito grata! Estou tentando arrumar há tempos e não consigo. :( 

Clarice é amor.
Na verdade, faltam-me palavras para descrevê-la, as palavras dela mesma descrevem-se sozinhas. Sabe por que quase não enchi esse livro de post-its? Por que iriam faltar post-its. Por que cada frase de Clarice é uma relíquia. Por que cada suspiro de Clarice é clássico.
Clarice é amor. De novo.
Nunca dei bola para os escritores dos livros, as histórias sempre foram mais interessantes do que escolher livros por autores, mas, Clarice é Clarice. Não tinha como não dar bola pra ela. Principalmente porque em cada letra, ela está lá. Ela é aquele tipo de escritora presente, que não sai da cabeça da gente. Ela está falando comigo? Parece que sim.



Macabéa é uma personagem horrível. Sério, ela é péssima. Ela é péssima como ser humano. Ela não sabe viver, rir, respirar, sentir. Macabéa é um ser errante. Com a vida errada, mas sem se dar conta do errado. Nascida no nordeste, mas foi com a tia para o Rio de Janeiro, a tia malvada que ela pensou ser boa até o fim de sua vida. Lá, depois que a tia morreu, Macabéa foi morar com umas meninas, dividindo quarto, trabalhando nas Americanas e tomando Coca-Cola, e comendo cachorro-quente na lanchonete da esquina. E tomando café frio à noite. Macabéa era uma sofredora nata. Mas uma sofredora que não sabia que sofria. Sofreu uma traição, mas pensou que merecia. Coitada de Macabéa.




É uma história miserável. Falei pouco? Mas o suficiente. Só não falei o fim. Por que aí não dá né. Mas você não lê Clarice por causa da história, mas por causa das palavras. Ela tem um estilo só seu, mas na verdade, o narrador que nos conversa é um homem das palavras, que sofria com seus personagens e que se entediava ao mesmo tempo. Li em algum lugar que todo livro da Clarice é autobiografia. Não conheço muito de Clarice, mas acho que dá pra imaginá-la sentada em lugar, com um cigarro a mão, um copo de whisky  na outra, falando como que entediada, como que extasiada. Não sei porque tenho-a assim em pensamento, mas tenho. 



  • Livro: A hora da estrela
  • Editora: Rocco
  • Autora: Clarice Lispector
  • Lançamento: 1977
  • Páginas: 87


6 comentários:

  1. Nossa, sempre quis ler algo da Clarice, mas nunca tive a oportunidade. Sua resenha me encantou! Parece que ler algo dela é exatamente como imaginei, uma experiência indescritível! Daquelas que te fazem refletir e viajar, uma leitura fenomenal e difícil de encontrar hoje em dia.

    Adorei!
    Beijos
    aquelaborralheira.blogspot.com.br

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    1. Quando surgir a oportunidade, sugiro que leia. Essa foi a minha primeira leitura, mas, com certeza terão mais. Que bom que gostou da resenha, e Clarice é tudo o que você falou, ela te faz refletir, filosofar, pensar... muito bom!
      Beijos!

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  2. Já estou apaixonada por ela sem nem lê-la!

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  3. Também foi o meu primeiro livro da Clarice por enquanto,que coincidência! Realmente ela nos toca,e o narrador...chega eu tomava susto. Quero ler mais dela!
    Beijoo
    http://cultoletrando.blogspot.com.br/

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    1. hahaha Realmente, o narrador aparece do nada, né! Mas é muito bom, também quero ler mais coisas dela.
      Beijos!

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